Nesses dias meu Kindle (leitor de e-books) quebrou. Isso depois de 8 anos de muito uso. Sabendo do valor de um novo, que é um tanto “salgado”, relutei bastante para comprar outro. Depois de muitos cálculos, decidi comprar em longas parcelas no cartão. Assim que finalizei a compra, passei a rastrear meu pedido diariamente, na ânsia de tê-lo o mais breve nas minhas mãos. Enquanto o aparelho não chegava, assisti no YouTube inúmeros tutoriais explicativos de funcionamento, e li vários comentários de usuários do Kindle. Antes mesmo dele chegar, eu praticamente já sabia tudo sobre esse leitor de livros.

Tão breve o entregador se identificou no interfone de casa, minha alegria tornou-se notória, a ponto da minha esposa comentar que eu parecia criança desembrulhando um presente. Adiei até a caminhada que estava para fazer no momento que o aparelho chegou em casa. Abri o pacote e retirei o aparelho da caixa com todo cuidado. Parecia que eu estava segurando um troféu ou uma joia preciosa. De imediato, fui ligando e configurando meu novo “brinquedinho”. Passados alguns minutos, um sentimento tomou conta de mim. Deixei o Kindle de lado e passei a refletir… Embora estivesse extremamente satisfeito com minha nova aquisição, entendi que eu não precisava ter ficado tão ansioso, a ponto de achar que me sentiria mais feliz depois que essa compra estivesse comigo.

Contei essa história para a gente perceber que não precisamos comprar um carro melhor, uma casa maior, ou até conseguir um emprego com remuneração maior para ser feliz. Claro que buscar melhorias nesses e noutros setores é saudável e natural, contudo, não deixe para ser feliz quando uma dessas, ou, todas essas coisas mudarem na sua vida. Que tal a gente sentir gratidão e felicidade com a casa que já temos? Com o carro, moto ou bicicleta que já possuímos? Precisamos sentir gratidão pelo trabalho que temos até que surja outra oportunidade.

Quando a gente aposta nossa felicidade no futuro, achando que um carro, uma casa ou um emprego melhor, farão da gente pessoas mais felizes, depositando nossa felicidade em coisas, possivelmente ficaremos ainda mais tristes, pois estaremos cultivando a cultura do consumismo e não da realização. E sabe o que mais? Sempre existirá um carro melhor, uma casa mais confortável e um emprego melhor remunerado do que o que já temos.

Que tal a gente agradecer pelo carro que a gente tem, ou até pelo que não tem? Se você conseguir um melhor, ótimo, aprecie e agradeça por esse carro novo. Caso passou a ter um carro inferior, façamos o mesmo, podemos tentar ser felizes nesse carro mais velho também.

Meu primeiro carro foi um Chevette ano 1989, que era a gasolina, mas que eu rodava com álcool. Antes vou explicar o motivo. Comprei esse carro a um cidadão que, aparentemente, não costumava fazer “bons” negócios. Desnecessário dizer as condições que esse veículo se encontrava pelo ano de fabricação dele, quando comprei esse carro, ele já estava com 20 anos de uso. Lataria e motor totalmente danificados, sem falar que o motor havia sido trocado por outro a gasolina, pois no documento do veículo constatava que ele era a álcool e não a gasolina. Para resumir a história, nessa época, precisei pegar 5 mil reais emprestado com minha irmã mais velha, no intuito de fazer minha viagem de intercâmbio. Tendo a intenção de vender esse carro assim que retornasse do exterior para devolver o dinheiro dela. Assim que voltei, coloquei o carro a venda. Não demorou muito para aparecer um comprador, mas para meu azar, ou sorte quem sabe, nesse mesmo dia o motor do carro bateu… foi quando eu descobri que esse carro deveria ser movido a gasolina e não a álcool, como eu estava fazendo… Bem, não tive outra saída, fiz uma rifa para levantar o dinheiro do conserto e no final das contas, juntando o valor que paguei quando comprei o carro, mais os consertos no decorrer dos 2 anos que possuí, somado ao último serviço para refazer o motor, a soma de gastos total foi de inacreditáveis 12 mil reais. Sabe por quanto eu vendi esse carro? 3 mil reais…

No começo sentia até raiva do carro e de tudo que passei com ele, mas com o passar dos anos, percebi o quão bom foi ter tido aquele carrinho. Quantos momentos de felicidade ele proporcionou para mim e para minha família. Quantas vezes fomos até Caruaru e cidades vizinhas, sem falar das vezes que levei meu filho para ver o mar. Não posso esquecer da primeira vez que fomos a Garanhuns com minha família. Foram muitos momentos onde me senti feliz no “carango”, como ele era chamado por mim. Mesmo estando num carro velho, consegui sentir felicidade. Também senti essa felicidade quando comprei meu carro atual, na época 0 KM. Também tentarei ser feliz caso passe a ter um carro mais velho, ou mais novo quem sabe. O segredo é descobrir a felicidade que está dentro de nós, e não nos objetos e coisas que nos cercam. Pois a felicidade está no caminho e não na chegada.

Vamos tentar ser felizes agora?

Pierre Pessôa
Fundador do Smart Fluent

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