É ano de eleição, a campanha eleitoral está chegando, e devemos ficar de olhos bem abertos para não sermos levadas/os pela aparência e conversas bonitas. Um assunto que permeia os espaços de debate são a presença das mulheres na política, de fato precisamos sim de mais mulheres ocupando todos os espaços, e na política institucional principalmente, pois teríamos oportunidade de pautar mais políticas para as mulheres, romper com um ambiente que é culturalmente masculino e machista e principalmente ser inspiração e incentivo para que mais mulheres se sintam pertencentes, capazes e compreendam que política também é lugar de mulher. Mas a pergunta que não quer calar. Será que apenas elegendo mulheres nós avançamos? Vamos pensar no macro, na Câmara de Deputados Federal apenas 10,5% dos/das representantes são mulheres, sabendo que 51,7% são o total de mulheres da população brasileira, nós somos a maioria, porém no congresso somos a minoria. Isso traz à tona o debate sobre a representatividade, que através da lei exige um mínimo de 30% de homens ou mulheres, mas que culturalmente só são preenchidas pelo público feminino, e mesmo assim não garante que essas mulheres serão eleitas. Isso depende de diversos fatores que vão do senso comum de eleitores/as acharem que uma mulher não é capaz de ocupar um espaço na política, ou até mesmo partidos que acabam não dando o suporte necessário, muitas são registradas por conta da cota mas não recebem a estrutura de campanha necessária. É visível que a cota é importante, porém não é suficiente, porque se vivemos em uma cultura patriarcal que é contrária a participação de mulheres na política e temos partidos que simplesmente instrumentalizam as figuras femininas, sempre teremos obstáculos. E mesmo essas cotas não sendo suficientes ainda existem propostas para retira-las, como o projeto de lei que foi apresentado no ano passado pela Deputada Federal – Renata Abreu, do Podemos (PODE) – São Paulo, que é uma MULHER. A mesma justifica que a cota de 30% é uma medida extrema, pois quando os partidos não a alcançam, são penalizados. A deputada se manifestou contra o recurso de 30% dos fundos partidários para as campanhas das candidatas mulheres, ela argumenta que o parlamento tem contado cada vez mais com a presença de mulheres e que não existe discriminação de gênero. No ranking de representatividade feminina na política institucional estamos atrás de 151 países, mas, ainda há quem acredite que 10,5% já está muito bom. Por ser uma deputada mulher vocês devem estar se perguntando, que contradição é essa? Pois bem, existem representatividades simbólicas, aquelas conhecidas como diz o ilustre bezerrenses Paulo Leite, como “figuras decorativas” e as representatividades concretas que não é só mulher, mas luta pela maioria das mulheres, as trabalhadoras que precisam de creches e escolas para os/as filhos/as, que precisam de parto humanizado, de acolhimento real em casos de violência, que lutam pelo fim da discriminação salaria e moral que ainda existe no trabalho, que precisam de licença maternidade, que almejam se aposentar um dia, e tantos outros direitos que nos são negados cotidianamente. Então respondendo à pergunta que não queria calar… Nem todas as mulheres apenas por serem mulheres, quando conseguem um espaço na política institucional efetivam a representatividade concreta, até porque esta precisa ser construída, não é algo pronto, tem a ver com coerência, tem a ver com o que você defende e suas bandeiras de luta. Existem até mulheres querendo atrair mais e mais mulheres para a política, mas que defendem projetos ou servem a pessoas que estão à frente de projetos regressivos. Assim não há possibilidade nenhuma de avançarmos, pois estaríamos a mercê de uma representatividade vazia. Mulheres assim não nos representam, precisamos estar atentas/os e quando escutarmos dessas pessoas, “Vamos juntas?” Simplesmente diremos, “Não, vamos não”. Precisamos sim de mais mulheres na política, mas mulheres combativas que sigam lutando contra todos os tipos de desigualdade e não daquelas que aceitam e colaboram com o sistema posto. Precisamos entender também que embora não sofram nossas lutas cotidianas temos candidatos homens que são verdadeiros aliados nossos, como negros e LGBT´s também, Encerro com a seguinte reflexão: A história vivida pelas mulheres organizadas nos mais diversos campos políticos demonstra que não é apenas uma questão de sexo ou de gênero. Em voga aqui o grito de ordem dos movimentos feministas contemporâneos: “Não basta ser mulher, tem que ser de luta feminista”. Isso porque um movimento não necessariamente por ser composto por mulheres reivindicará a igualdade real entre homens e mulheres, assim como uma Lei, não necessariamente por ser proposta por uma ou uma bancada de mulheres terá o fito de garantir igualdade de direitos, ou, ainda, a política pública será necessariamente emancipatória por ser coordenada por um organismo de política para as mulheres. (AMORIM, 2015, p. 73). Michelle Silvestre – Mulheres em Pauta. https://www.cartacapital.com.br/diver… https://www.camara.leg.br/deputados/1… https://www.camara.leg.br/noticias/56… http://www.tse.jus.br/imprensa/notici… https://educa.ibge.gov.br/jovens/conh… https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/15003/1/RAVANE%2C%20ELBA%20-%20DISSERTA%C3%87%C3%83O%20COMPLETA.pdf

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