Dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam que paciente precisou esperar 148 dias para passar com especialista em 2018. Corredor da unidade da Rede Hora Certa do Itaim Paulista lotado
Tatiana Santiago/G1
Moradores do Itaim Paulista, bairro do extremo da Zona Leste de São Paulo, são os que mais sofrem com o tempo de espera para marcar uma consulta com um médico especialista na rede pública municipal.
De acordo com dados da Secretaria Municipal da Saúde obtidos pelo G1, os pacientes da região tiveram que aguardar, em média, 148 dias, ou quase 5 meses, para conseguir uma consulta no ano passado.
Esse é o segundo ano consecutivo em que o bairro da periferia da capital paulista fica em último no ranking de tempo de agendamento com um médico especialista. Apesar do tempo médio de espera ter caído 8 dias no período de 12 meses, já que em 2017 o paciente tinha que aguardar 156, a região continuou sendo a mais demorada em 2018.
Esse problema é enfrentado por Sebastião Rodrigues, de 69 anos. Gerente de um posto de combustíveis, ele sofre de hiperplasia benigna da próstata, detectada há um ano e meio, e teve sua rotina alterada com as idas frequentes ao banheiro.
Sebastião Rodrigues sofre de hiperplasia benigna da próstata
Tatiana Santiago/G1
“Com o crescimento da próstata, toda hora sinto vontade de ir ao banheiro. O sistema de saúde público está difícil, quem está mal morre”, lamentou. Ele tenta consulta com um urologista há um ano.
O idoso compareceu à Rede Hora Certa, localizada na Avenida Marechal Tito, na manhã desta segunda-feira (22), para realizar um exame laboratorial. Porém, ao chegar ao posto, descobriu que o médico estava de férias. “Viagem perdida. Nem me avisaram”, disse.
A Rede Hora Certa realiza consultas com especialistas, exames e pequenas cirurgias. São disponibilizadas consultas com médicos especialistas em anestesiologia, angiologia, cardiologia, cirurgia pediátrica, cirurgia vascular, dermatologia, endocrinologia, ginecologia e obstetrícia, mastologia, neurologia, ortopedia, otorrinolaringologia, reumatologia e urologia.
Eletricista Evandro Pietri sofre de lúpus
Tatiana Santiago/G1
O eletricista Evandro Pietri, de 42 anos, convive com o lúpus há pelo menos 15 anos e precisa de acompanhamento contínuo. No entanto, ele teve que esperar cinco meses para passar com um dermatologista.
Ele chegou à unidade da Rede Hora Certa Itaim Paulista acompanhado pela mulher, que luta com o marido para amenizar os sintomas da doença autoimune que causa inflamação e pode afetar vários órgãos e tecidos do corpo.
“É cansativo ter que esperar tanto tempo e depender do sistema público de saúde. Ainda bem que a doença está controlada. Se os sintomas estivessem fortes, seria complicado. Se tivesse mais médicos para atender seria mais fácil”, disse a decoradora Vera Pietri, de 45 anos.
Com o coração inchado, Carlos Antônio de Sousa, de 60 anos, marcou em fevereiro consulta com um cardiologista. Só conseguiu horário em agosto. “Eu espero ligarem para marcar e eles esquecem, e eu tenho que voltar para marcar. O sofrimento aumenta porque a gente depende disso”, disse. Desempregado e fazendo bicos de catador de coleta seletiva para sobreviver, ele fica entristecido por não poder pagar uma consulta particular.
Carlos Antônio de Sousa aguarda passar por consulta com cardiologista
Tatiana Santiago/G1
Em 2018, foram realizadas 4,6 milhões de consultas com especialistas pela rede municipal, sendo mais de 3 milhões pela administração pública direta e 1,6 milhão por organizações sociais conveniadas.
Maior tempo de espera
Os extremos da capital paulista são as regiões com mais dificuldades para se conseguir um atendimento especializado na rede pública (veja lista completa abaixo).
Tempo de espera por consulta (em dias)
Os pacientes de Itaquera esperam 129 dias, enquanto os que residem em São Mateus aguardam 128 dias.
Pirituba (113 dias) e Freguesia do Ó/Brasilândia, no extremo da Zona Norte, aparecem na quarta e quinta posições no ranking de maior tempo entre a solicitação do agendamento e a realização da consulta.
Em sexto lugar está Ermelino Matarazzo, com 94 dias de espera. E, em sétimo, aparece Guaianases, com demora de 92 dias.
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