O mundo digital nos aproximou com a mesma força e facilidade com que nos distanciou das diversas relações estabelecidas e que compõem um pavimento social. Não podemos negar os avanços que o acesso a tecnologia trouxe para a sociedade de um modo geral, mas também não podemos fechar os olhos para os problemas que a mesma traz e que por vezes passa diante de nós de forma imperceptível. O medo, a insegurança, a anorexia, a depressão, a crise humanitária, dentre tantos outros são potencialmente aumentados em decorrência das fragilidades das relações humanas no mundo pós-moderno, que por sua vez acaba por levantar muros ao invés de construir pontes. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, vivemos em um mundo “líquido”, onde a plasticidade e o fácil descarte das diversas relações sociais nos fazem ter a incerteza como única e verdadeira certeza para nossos dias. Para exemplificar um pouco essa liquidez podemos refletir sobre nossos próprios comportamentos. Temos mais contatos virtuais ou pessoais no dia-a-dia? Saímos com a mesma frequência que antes ou preferimos ficar em casa num bate papo pelas redes sociais? Quando saímos curtimos as presenças ou nos tornamos reféns de nossos celulares? Nossos padrões de uso são porque nos agradam ou porquê nos foi imposto através da moda? Nossos comportamentos e aquilo que pensamos são reflexo de nossa personalidade ou apenas uma forma de não nos sentirmos alheios ao que nossos próximos defendem? O modelo de mundo e das relações “líquidas” apresentadas por Bauman permeia nosso universo indo do pessoal ao global, e trazendo consequências que jamais poderíamos imaginar, inclusive mais negativas do que positivas. E o que é mais perigoso é que nos afeta, mas tem nosso aval, mesmo que às cegas.

Mikhail Gorbachiov – Cientista Social

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