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morghanO nosso 41º convidado da série de entrevistas que levamos ao ar todos os sábados é o Morghan Helder Pontes Santino dos Santos, 26 anos, advogado, graduado em direito pela Universidade Católica de Pernambuco. Morghan é um jovem advogado que vem se destacando no meio jurídico e filho do presidente da Câmara de Bezerros, o vereador Nivaldo Santino.  Ao bezerroshoje, Morghan discorre sobre o cenário político nacional e municipal. A conferir:

BEZERROS HOJE – Qual o papel do seu pai, o advogado e vereador Nivaldo Santino (PSB), na sua formação jurídica e por que também não se enveredou para o ‘mundo’ político?

MORGHAN PONTES – Inicialmente, meus cumprimentos a todos os leitores do Bezerros Hoje, o maior portal de notícias da nossa cidade. Agradeço o convite do Diretor Flávio Melo, parabenizando-o pela iniciativa de criar esta série de entrevistas, dando uma efetiva contribuição para a discussão de ideias e posicionamentos que ajudam a construir um debate democrático e responsável na nossa cidade.

Não só o meu pai, como também minha mãe Angela Pontes e minha irmã Pollyanne Santos, advogados e mentores, tiveram e ainda tem papel fundamental na minha formação profissional e pessoal. A família é a primeira referencia que se tem, sobre tudo. Com eles eu aprendi e ainda aprendo sobre o direito, família e a vida. Desde criança, a militância da advocacia fez parte da minha casa. Todos os dias eu ouvia falar em audiência, júri, juízes, promotores, petições, recursos e esse ambiente acaba moldando quem você será um dia. Claro que deles nunca recebi nenhuma pressão para enveredar pela advocacia. Foi tudo muito natural. Simplesmente aconteceu e hoje estou apenas no começo da minha militância como advogado.

Sobre a política, tudo tem seu momento. Ainda não cogitei a possibilidade de entrar para a política, apesar de gostar e tentar acompanhar de perto as movimentações, por acreditar na política como um instrumento poderoso e transformador, e que deveria fazer parte do dia a dia de todos os cidadãos. Ainda que eu fosse fazê-lo, não seria de qualquer jeito, seria muito bem pensado e discutido com a minha família e minha esposa, pois seria uma decisão que traria todas estas pessoas junto comigo.

Primeiro, estou no momento de trabalhar, de evoluir profissionalmente, de me estabilizar e adquirir experiência das mais diversas formas, porque acredito também que política não é profissão, e eu jamais faria isso. Quando chegar o dia em que eu me sinta estabilizado e maduro o suficiente, aí sim poderia pensar em colocar meu nome à disposição do povo bezerrense, como uma alternativa para representá-los e dar minha contribuição à cidade que nasci, me criei e vivo até hoje, sem nenhuma pretensão de sair. 

BEZERROS HOJE- O mundo da advocacia tem o deixado realizado? O que tem mais encantado você em sua profissão?

MORGHAN PONTES -Estou apenas no começo de uma trajetória que está sendo traçada aos poucos, dia após dia, com muito trabalho e comprometimento com a Justiça e os clientes. Sinto-me realizado por trabalhar no que gosto, certo de que ainda tenho muito a fazer.

O que mais tem me encantado e motivado, na minha profissão, é o sentimento de estar fazendo a ponte entre o Direito e a Justiça, ajudando os clientes a defenderem seus direitos, alcançarem objetivos e realizarem sonhos. O Direito e a Justiça nem sempre se encontram, às vezes parecem distantes, e o nosso trabalho é fazer essa junção se tornar possível, palpável. É impagável a sensação de ganhar uma causa, comunicar ao cliente e enxergar, da forma mais pura, a Justiça ser feita.

Sou um entusiasta da advocacia, apaixonado pelo que faço e pretendo continuar assim: ser amanhã um pouco melhor que hoje, ouvindo mais e falando menos, crescendo e aprendendo sempre. 

BEZERROS HOJE- Você tem defendido nas redes sociais o governo do PT, combatendo os movimentos que pedem o impeachment da presidente Dilma. Há um problema sério de governança no país que está corroendo a economia, provocando recessão, desemprego, etc. Qual o caminho para encontrarmos uma solução?

MORGHAN PONTES -Na realidade, não sou defensor do governo do PT, me considero apenas um defensor incansável da democracia. Infelizmente, hoje vivemos uma pobre dicotomia onde ou você é ‘coxinha’, ou você é ‘petralha’. Qualquer pessoa que se coloque em uma posição de neutralidade estará correndo o risco de ser taxado de um ou outro. Lamentável, já que o debate político e social que discute essas questões é bem mais complexo que isso. Combato os movimentos pró-impeachment da presidenta Dilma, porque não os confiro legitimidade. Ainda não foram capazes de apontar, com clareza, qual o crime de responsabilidade cometido pela presidenta Dilma.

Primeiro, com o resultado das eleições presidenciais de 2014, os inconformados ‘decidiram’ que aquilo não poderia ter acontecido, e que o PT deveria sair da presidência a qualquer custo. Depois, procuraram os motivos. Eu acredito que a ordem deve ser inversa. Não podemos cair na leviandade que caiu, por exemplo, o Conselho Federal da OAB, posição da qual me envergonho, que decidiu protocolar um pedido de impeachment com base “no conjunto da obra”, palavras do Presidente da Ordem, Cláudio Lamachia. Isto é patético.

Não confiro legitimidade a estes movimentos, porque aqueles partidos e pessoas que desde o início os encabeçam, estão igualmente envolvidos em escândalos bilionários de corrupção, tanto quanto o próprio PT.  Logo, concluo que muitos dos que hoje bradam “FORA DILMA, FORA LULA e FORA PT” na verdade não são contra a corrupção de forma geral, são contra a corrupção do PT. Essa indignação seletiva não me parece coerente, e por isso não compactuo com essas opiniões, apesar de respeitá-las.

Hoje, nossa crise além de política, institucional e econômica, é também de representatividade. O nosso sistema político-partidário está à beira da falência e precisa ser rediscutido. Hoje, sentimos que os atuais partidos políticos não nos representam, e isso reflete nos seus filiados, e ficamos sem saber onde e como devemos nos posicionar. Afinal, se até uma sala de aula precisa de um líder e um prédio precisa de um síndico, imagine uma cidade, um estado e um país.

Votei em Lula em 2006, em Dilma em 2010 e em 2014 em Marina, e em Dilma no segundo turno. Claro que tive e tenho minhas muitas decepções com o governo do PT. Não sou cego diante de tudo que vem acontecendo. Estamos diante de uma crise política e econômica, vivenciamos um verdadeiro saque a nossa maior estatal, a PETROBRAS, sem mencionar tantos outros escândalos em que o governo petista se envolveu nestes quase treze anos e meio. Só não admito tratar a corrupção como novidade, como se o PT fosse o criador desta mazela, e que o eliminando resolveremos o problema da corrupção no Brasil.

Hoje, quando ligo a televisão e vejo que a Polícia Federal desmontou mais um esquema de corrupção, primeiro sinto-me traído por aquilo ter acontecido, por terem desviado dinheiro público, que serviria para melhorar nossa qualidade de vida através da educação, saúde, segurança e investimentos em infraestrutura e programas sociais. Por outro lado, sinto-me aliviado, porque já se foi o tempo em que os políticos metiam a mão no nosso dinheiro e ninguém ficava sabendo de nada. Ainda bem que hoje, com a autonomia conferida à Polícia Federal, ao Ministério Público, tudo é investigado, trazido a limpo e julgado, como forma de prestação de contas à sociedade. Acredito que nem sempre foi assim. Em governos anteriores, escândalos eram varridos para debaixo do tapete. Não se tinha autonomia para investigar, julgar e punir. As instituições eram vigiadas de perto, controladas e pouco podiam fazer.

Hoje, faço estas afirmações sem medo de estar sendo injusto, já que recentemente um dos procuradores da Operação Lava Jato afirmou, com todas as letras, que governos anteriores interferiam nos órgãos investigatórios, e que hoje, com o PT, apesar de tudo, essa influência que amarrava as mãos de procuradores, promotores, policiais e delegados não existe mais. A maior prova disso, é que toda a alta cúpula do partido mais poderoso do país está presa ou está sendo investigada, inclusive até aquele que consideravam blindado, o ex-presidente Lula.

Não é porque nós não descobríamos as falcatruas que elas não existiam. A diferença é que hoje nós ficamos sabendo, através da televisão, da internet e das redes sociais, onde existe a maior convergência e divergência de opiniões. Basta pesquisar quantas operações a Polícia Federal deflagrou de 2003 para cá e comparar com períodos e governos anteriores. Muitos gritam “VAI PRA CUBA”, referindo-se de forma pejorativa à parceria do Governo Federal com o Governo Cubano, mas nem sabem, ou não querem saber, que uma das maiores estatais brasileiras, a Vale do Rio Doce foi privatizada a preço de banana no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Uma parte do Congresso Nacional, da grande imprensa, da sociedade e instituições como a OAB e a FIESP, decidiu que o PT não vai mais governar. Custe o que custar, o Brasil só voltará a crescer se o PT cair. Enxergo que a pretensa queda do governo petista é o grande causador da crise econômica que vivemos hoje. A crise política pode ter sido cautelosamente construída para resultar na crise econômica, e assim justificar o impedimento do mandato da presidenta. Afinal, a presidência está em jogo, e por trás disso existem muitos interesses, de grupos poderosos. Os discursos patrióticos, anticomunismo e anticorrupção são bem semelhantes aqueles bradados pela “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” que antecederam o golpe militar de 1964, inclusive com o apoio editorial da Globo (Família Marinho), reconhecido em pleno Jornal Nacional por William Bonner, FIESP e OAB, que repetem o posicionamento em 2016.

A própria debandada de parte do PMDB da base governista na última terça-feira, 29 de março, encabeçada pelo vice-presidente Michel Temer, aliado a figuras controversas como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que em apenas três minutos decidiu abandonar o governo do qual fez parte nos últimos treze anos, como se não tivesse responsabilidade sobre tudo o que está acontecendo, demonstra a má-fé deste partido oportunista. Aliado a isso, a atuação questionável do Juiz Federal que conduz os processos da Operação Lava Jato, Sérgio Fernando Moro, que apenas para tumultuar e colocar ‘lenha na fogueira’ agiu de forma irresponsável, divulgando grampos telefônicos ilegais, com a única finalidade de constranger os interlocutores, incluindo-se aí a própria Presidenta da República. Tanto que ele precisou prestar esclarecimentos e “desculpar-se” com a instância máxima do judiciário brasileiro, o STF, fato que corrobora meu posicionamento em relação à atuação deste Juiz.

Apenas para deixar claro, sou completamente a favor das investigações, e não interessa se é político, empresário, empreiteiro, lobista ou doleiro, desde que seja respeitado o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, afinal a injustiça é algo que não podemos tolerar.

O caminho para encontrarmos a solução, hoje, ainda não me parece claro. Acredito que temos muito que discutir, enquanto sociedade, e que este é um dever de todos.

Se as pedaladas fiscais serão suficientes para justificar o processo de impeachment, então que sejam julgados também as dezenas de governadores que cometeram exatamente o mesmo crime de responsabilidade. Não devem existir dois pesos e duas medidas. Remédio para governo que a gente não gosta não é impeachment, é eleição. Se o PT lá está, é porque foi colocado pela maioria dos eleitores, e o mandato de Dilma será legítimo até o final de 2018, quando elegermos um sucessor.

Qualquer que seja o desfecho desse processo político, que sejam respeitadas a Constituição e as leis, e, acima de tudo, a DEMOCRACIA.

BEZERROS HOJE- O PSB de Bezerros, que tem à frente o seu pai, o vereador Nivaldo, agregou vários vereadores que buscam a reeleição. Muitos desses vereadores são merecedores de críticas pela fraca atuação parlamentar. Na sua visão, o que representa essa movimentação política?

MORGHAN PONTES -Enxergo com naturalidade essa articulação política. Afinal, qual agremiação político-partidária não deseja crescer e aumentar sua representatividade?

Estes vereadores, ou eventuais candidatos, certamente encontrariam um partido para se filiar e lançar candidatura. Acredito que meu pai, Nivaldo, como presidente municipal do partido, pensou: por que não o PSB?

O PSB sofreu um baque irremediável com a morte do Governador Eduardo Campos, em 2014, e desde então procura juntar os pedaços, se reerguer e se fortalecer para permanecer como um dos principais partidos do processo político nacional. Parte desta reestruturação passa pela filiação de novos membros, que trazem novas ideias e oxigenam o debate, inclusive dentro do próprio partido.

A população de Bezerros tem consciência política e vai saber diferenciar os parlamentares que tiveram fraca atuação daqueles que se destacaram e deram uma contribuição efetiva na atual legislatura, e é assim que funciona em um Estado Democrático como o nosso. 

BEZERROS HOJE- Bezerros vive uma expectativa quanto ao processo eleitoral municipal. Como você analisa o atual cenário político. Em sua opinião, o prefeito Branquinho vai mesmo para a reeleição?

MORGHAN PONTES -Sempre em ano de eleições municipais, nessa época, as expectativas estão acirradas em relação ao processo eleitoral que se aproxima. Como sempre, Bezerros ferve e todos acabam participando do processo, direta ou indiretamente.

Bezerros tem sorte de ter hoje um gestor público do nível e da competência do Prefeito Branquinho. Em sua vida pública, Branquinho acumulou experiência como ninguém, e mesmo depois de aposentado como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, num gesto de nobreza da altura de homens como ele, continuou sua vida pública candidatando-se e sendo eleito Prefeito de sua terra natal.

Se Branquinho irá para a reeleição ou não, somente ele poderá responder. Branquinho já contribuiu de forma incalculável com nossa cidade, sendo um gestor honesto, competente e experiente que captou investimentos necessários para o crescimento de Bezerros. Certo é que, se Branquinho for para a reeleição, tem tudo para se eleger com tranquilidade, e todos nós sairíamos ganhando por tê-lo como chefe do executivo municipal.

Caso ele decida que não irá se candidatar novamente, Branquinho deixaria o partido com a difícil e honrosa missão de substituí-lo a altura. O PSB de Bezerros conta com excelentes nomes para isso, dentre eles o atual vice-prefeito, Breno Borba, meu amigo, e que, apesar de jovem, vem acumulando uma experiência ímpar não só ao lado do Prefeito Branquinho, bem como de seu pai, o ex-prefeito Marcone Borba, e daria continuidade aos projetos que vêm sendo tocados hoje.

BEZERROS HOJE – Em um processo democrático, o papel da oposição é indispensável para o bom debate político. Em Bezerros, a oposição caminha desorientada. O que está ocorrendo para uma unidade das oposições?

MORGHAN PONTES -O que nós vimos em Bezerros nas eleições municipais de 2012, foi algo sem precedentes. Branquinho, com sua capacidade de articulação e de juntar forças, uniu grupos políticos que até aquele momento eram rivais históricos. Aliado a isso, a vitória esmagadora ao grupo político da ex-prefeita Bete e ao ex-vice-prefeito Carlinhos, deixou a oposição enfraquecida.

O papel da oposição no pleito que se aproxima dependerá muito da candidatura ou não do Prefeito Branquinho. De qualquer forma, torço que a oposição encontre seu caminho e cumpra o seu papel fiscalizador de forma ética e responsável, pois sem oposição não há democracia. 

BEZERROS HOJE- Suas considerações finais…

MORGHAN PONTES -Vivemos provavelmente o momento político mais importante deste século no Brasil, e temos que acompanhar de perto o desenrolar de tudo. Em primeiro lugar, torço que sejam respeitadas a democracia e a liberdade das instituições. Depois, não nos deixemos contaminar pelo ódio e pela intolerância. O debate político e democrático é maior que isso, e devemos fazê-lo sempre de forma cordial e respeitosa.

No quadro político municipal, o Prefeito Branquinho deverá estar tranquilo para, junto a sua família, decidir de se candidatar à reeleição ou não. Com a consciência tranquila de quem muito fez em toda a vida pública, estou certo de que Branquinho tomará a melhor decisão, e, ainda que não se candidate, continuará a contribuir para o nosso município.

O bezerrenses precisarão estar unidos para superar estas crises, se aproximar do debate político, participar do processo democrático, apresentar ideias, cobrar soluções e acompanhar de perto aqueles em quem votaram. Afinal, a democracia pode ter seus vários defeitos, mas ainda se provou ser o melhor dos regimes.

Mais uma vez, agradeço ao Diretor do Bezerros Hoje, Flavio Melo, pelo convite. Sinto-me honrado em poder dar minha pequena contribuição nessa entrevista.

Aos bezerrenses, desejo dias cada vez melhores. Ressalto o combate ao mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus. Essa luta é de todos nós pra acabar com esse mal que tanto tem maltratado nossos amigos e nossa família, em especial a minha avó, Josina Pontes, meu maior amor, que infelizmente foi infectada e está na luta para ficar bem. Certamente, essa doença que a deixa acamada não combina com a mulher forte e guerreira que ela é e sempre foi. A todos, muita saúde, sucesso e realizações. Forte abraço!

Enviado por:Redator

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Fonte: Bezerros Hoje / Clique aqui e veja essa e outras notícias.

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