Por Sergio Leão

Acredito que os brasileiros que deram as suas vidas no passado, para defenderem a soberania popular e a democracia neste país certamente pensariam duas vezes para serem heróis contemporâneos de um povo que vive se escondendo das suas responsabilidades, principalmente quando o país se encontra a beira de um colapso social, quando congressistas se encontram às escuras em Brasília, com a tropa de TEMER, para tramarem contra os trabalhadores brasileiros. Ao invés de estarem nas ruas pressionando os senadores e deputados para não votarem nas reformas cruéis que farão o povo sofrer amargamente em um futuro bem próximo, os trabalhadores estão mesmo é se preparando para a folia, onde virarão por quatro dias, pierrôs, colombinas, papangus, baianas e outras “celebridades momescas” do país da corrupção. Em cidades como Recife e Salvador, onde predominam a violência e o desemprego, nada de se preocupar durante 30 dias, período que as troças carnavalescas serão a pauta mais importante para eles. O que vale é sair no galo recifense e correr atrás dos trios baianos. Muitos não irão trabalhar na quarta-feira de cinzas e outros tantos aproveitarão para se mostrarem e rebolarem em bloco de “resistentes”, até o domingo depois da folia. Passado o carnaval vamos contar os dias para os feriados nacional, estadual e municipal que em alguns lugares serão mais de 40 dias sem produção, sem trabalho mesmo.

De feriado em feriado, chegamos ao mês de junho, e aí são mais trinta dias de folia, principalmente em Pernambuco onde mais de 5mil pessoas foram assassinadas em 2017, mas o que importa é se vestir de caipira, encher a cara e dançar forró a torto e a direito, ou gastar  à grana de pagar o plano de saúde em dia ou estourar os cartões de créditos. Concomitantemente com os festejos juninos, teremos a copa do mundo e ninguém é doido de trabalhar durante os jogos da seleção brasileira, com jogadores multimilionários levando a nação ao delírio ou as lágrimas, como foi na copa passada aqui dentro de casa. Tem que ter camisa, bandeira, boné e fogos de artificio, que causam uma despesa extra enorme e depois que acaba o evento vem o arrependimento, as dívidas e os bolsos revirados, sem nem um mísero tostão. Não importa que as emergências hospitalares estejam abarrotadas de pessoas abandonadas em corredores, nem que a gasolina e botijão de gás tenham os preços mais altos do planeta; está chegando a campanha política, mais 45 dias que muitos brasileiros sem vergonha nas fuças, aproveitarão para venderem seus votos nojentos e levarem de volta para o congresso, uma corja infame e corrupta.

Mas enfim, depois de se associarem, os piores seres humanos que existem, infiltrados na política nacional, os compradores e vendedores de votos se distanciam, quem comprou numa boa e quem vendeu pedindo esmolas ou simplesmente comendo merda pelas ruas das cidades brasileiras. Não reclamem, chegou o final do ano outra vez, mais festa, mais homicídios, mais hospitais lotados, porém com muitos dias sem se trabalhar, muita cachaça, muitas confras de falsidades, roupas novas e sapatos comprados em cartões de créditos por miseráveis que nem o remédio de pressão tem condições de comprar. Ora, o que importa se não irão comprar nada na próxima feira? Afinal somos brasileiros, desdentados, sem plano de saúde, desempregados, assalariados e ainda temos o maior número de diabéticos, cancerosos, drogados e outras mazelas, na América Latina. E então, somos ou não somos um povo guerreiro? Pelo menos no imaginário da nossa gente preguiçosa que caminha para pobreza absoluta somos sim, até porque para a maioria do povo brasileiro, que viaja na maionese, ficar quase 100 dias em um ano, sem trabalhar é muito mais importante do que lutarmos por trabalho, saúde, educação, emprego, segurança etc.


Fonte: Bezerros Agora .

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