Renata Farias, Psicóloga

Os relacionamentos amorosos surgem como tema frequente nos consultórios psicológicos diante do sofrimento emocional causado pela insegurança, conflito ou insatisfação conjugal. É interessante notar que, por vezes, aquela relação romântica e quase simbiótica do início do namoro pode tornar-se mecânica e egoísta com o passar dos anos. Já outros pacientes carregam o fardo de nunca engrenar um amor verdadeiro,tido como referência de sucesso pessoal, pois a presença de um parceiro(a) é elemento quase central da autoestima destes.

Essa necessidade de pertencimento, afetuosidade, parceria e cuidado é tratada na teoria do apego proposta por John Bowlby, e vista como algo tão importante para o ser humano quanto a própria alimentação. Isso explica muita coisa! Talvez por isso, tantas pessoas sintam-se tristes com a chegada do dia 12 de junho (dia dos namorados) por não ter com quem trocar presentes, sair para jantar ou quem sabe, receber/fazer declarações públicas de amor. Por sinal, a essa altura você já planejou alguma dessas coisas ou está frustrado por não ter com quem vivenciar esta data?

Em uma rápida passagem pela internet hoje, observei o feed repleto de fotos de casal em um movimento semelhante a outras datas comemorativas. Engraçado, pois a forma como os casais vivenciam esta data vai desde as declarações públicas de afeto, a indiferença ou até a noção de que ela se trata de mais um momento comercial voltado ao lucro, assim como a páscoa, dia das mães, pais etc. Veja bem, demostrar a importância do outro em nossas vidas é um aspecto bastante saudável para manter as relações afetivas, contudo, te pergunto: Como anda seu relacionamento nos demais dias do ano? Afinal, amor é algo que vai muito além de fotografias ou presentes em datas isoladas. Será que não devemos adicionar a isso muitas doses de respeito, companheirismo e cuidado durante todo o tempo da relação?

Aproveito ainda para perguntar àqueles que neste momento se sentem incomodados por estar sozinhos: De onde veio a obrigatoriedade de que você PRECISA de alguém para sentir-se importante e feliz? Uma coisa é nossa necessidade de afeto, outra é delegar EXAGERADAMENTE a presença de terceiros em nossa vida para promover nossa felicidade. Essa idealização afetiva acaba gerando frustração e a manutenção de crenças centrais negativas de insuficiência, desamparo etc. construídas, normalmente, a partir de experiências infantis carentes de afeto. Obviamente, a forma como vivemos, reagimos e agimos é bem particular, logo, as generalizações feitas até aqui são provocações para que você possa refletir sobre tudo aquilo que te compõe.

Por fim, sozinho ou acompanhado, o dia 12 de junho pode ser vivenciado da forma que você quiser, mas acredito que optar por ser felizem qualquer data, inclusive hoje, é um caminho justo de valorização de si.


Fonte: Bezerros Agora .

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