Por Renata Farias – Psicóloga

Hoje ao acordar, iniciei meu dia olhando algumas redes sociais. Bem, imagino que essa rotina matinal deve ser realizada por você também, certo? Pois é, a internet indiscutivelmente é ferramenta de comunicação. Contudo, cabe aqui pontuar sobre os modos como tais redes vem tornando-se parte da nossa rotina ao tomar nosso tempo, nos injetar diariamente doses de mal-estar ou frustração ao desejar ser ou ter a vida perfeita divulgadas por muitos em suas redes sociais, e principalmente, ao substituir parte da capacidade humana de encontrar-se.

Apesar de eficaz, as redes sociais nem sempre se encontram alicerçadas pela emoção, afinal, a distância mantida entre as telas dos computadores e smartphones parecem dar proteção e camuflar as reais intenções e anseios entre os que dialogam. A prova é tanta, que arrisco perguntar: quantas vezes você já tratou de assuntos pessoais pelo “whatsapp” por não ter coragem de falar o que sentia ou pensava cara a cara? Quantas vezes você iniciou um flerte pela internet e não soube o que dizer quando precisou encontrar um “paquera” (para o meu tempo) ou “crush” (para os dias atuais)? Aproveito para ir mais além: qual foi a última vez que você ligou para alguém importante desejando um “Feliz Aniversário”? Talvez, por isso, hoje, muito se escute que “em tempos de whatsapp, ligação é prova de amor”!

Sabe o que mais escuto ultimamente entre amigos, conhecidos etc? É o quanto suas vidas passaram e eles não puderam conquistar o que tanto idealizaram. Bem, alguns desses pensamentos são plausíveis e necessários para a mudança e a motivação de conquistar seus sonhos. Contudo, para minha ingrata surpresa não é o que observo, pois tais declarações são sempre seguidas comparando-os com algum vizinho ou alguma personalidade da internet, bastante jovem, e que já conquistou muito além do que se esforçou para ter. Em outras palavras, as redes sociais tornaram-se instrumento para disseminar falsas alegrias, criando um abismo entre o que é possível e o idealizado. Friso aqui que na internet somos o que quisermos, portanto, o campo da frustração é arenoso e desproporcional.

Diante dessas fantasias, as relações sociais vêm tornando-se líquidas, pois não há tanto espaço para espontaneidade do encontro, do toque, do amadurecimento com aqueles que são diferentes de nós. E é sobre isso que quero que você reflita mais profundamente, pois enquanto seus afetos tornam-se mecânicos e nós começamos a viver um isolamento social que vai de encontro a condição humana, o tempo passa, as oportunidades se perdem e aquele abraço apertado não pode ser dado, ainda bem, por mediação tecnológica.

Portanto, ao invés de iniciar seu dia olhando as muitas vidas idealizadas e perfeitas apenas na internet, ao acordar escolha por levantar, tomar um bom banho e começar a perceber a sua própria vida, pois a utilização das redes sociais é saudável até certo limite! Qual é o seu?

Opinião de Renata Farias
Psicóloga


Fonte: Bezerros Agora .

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